quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

As lágrimas da presidente


Depois de anos de trabalho o relatório final da comissão da verdade criada pela presidente Dilma foi entregue nas mãos da própria. O que era para representar uma vitória e uma reconciliação com o passado de nosso país se mostrou algo mais. Infelizmente, algo pior. Essa cerimônia serviu para mostrar como o brasileiro pode ter dificuldade em olhar para fora de seu próprio umbigo, como o brasileiro pode ter uma falta de empatia sem tamanho, e como o brasileiro é mal informado sobre sua própria história. Dilma recebeu emocionada o relatório da comissão da verdade e quando lembrou dos companheiros que não sobreviveram a ditadura (sim ditadura, feita por um golpe e não uma revolução) chegou a chorar.
Diversos sites de notícias divulgaram o ocorrido, inclusive dando destaque para as lágrimas da presidente. O que foi visto nos comentário dessas notícias me assustou. Percebemos que na verdade, o brasileiro não se importa que ela tenha sido torturada, porque ela talvez faça parte de um esquema de corrupção. Me mostrou que o brasileiro acha que o que ela sofreu não é o suficiente para chorar, e ela fingia, chorava lágrimas de crocodilo. Vadia, mentirosa, imbecil, nojenta, falsa, devia ter morrido, terrorista, lixo. É isso que o brasileiro pensa da sua presidente. Sem precisar se aprofundar já é perceptível o quanto isso é horrível, mas quando nos aprofundamos percebemos que é ainda pior. As pessoas que julgam ela nunca passaram por uma tortura como a dela. Tortura essa que continua até hoje.     

A Dilma e tantos outros perseguidos pela ditadura sofrem de uma coisa chamada "culpa de ter sobrevivido". Essas pessoas viram seus amigos serem espancados, torturados, estuprados, separados dos filhos ainda bebês e mortos. Os sobreviventes que saíram do país, ou se esconderam, ou simplesmente tiveram a sorte de não terem se tornado mais um Honestino sofrem por ter sobrevivido e suas pessoas amadas não. Muitos sofrem porque tem o peso nas costas de não ter resistido a torturas (que não chamarei de desumanas porque seria pleonasmo) e entregado informações que levaram a morte de pessoas próximas. Muitos sofrem porque fizeram coisas erradas enquanto lutavam pelo fim da ditadura e carregam o peso de ter tirado uma vida. Muitos sofrem porque nunca vão conhecer os filhos, ou os filhos sofrem porque nunca vão conhecer os pais. Imagine você meu caro leitor, depois de ter passado por todas essas coisas, e ver o seu país esquecer todas essas atrocidades, ter a oportunidade de mudar, um pouco que seja isso, de dar um pouco que seja, de conforto para todos esses que sofreram. E qual o problemas pessoas, depois de tudo isso, derramar uma, duas ou mil lágrimas?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Society

O coração bateu acelerado quando olhou para baixo.  A visão do que lhe aguardava lhe deu enjoo e fez com olhasse para trás. Respirou fundo e olhou para a frente novamente. Sabia que não podia olhar para trás, já tinha passado por muito para chegar ali. estava cansado. Acima de tudo, estava cansado. Cansado de tentativas frustradas, da dor física que sentia depois, da dor no peito que sentia depois, da dor nos olhos das pessoas que o olhavam, do tom de pena que sempre ouvia, e da indiferença que recebia quando aparentava estar bem. Ninguém o escutava. Quer dizer, é claro, escutavam, somente no momento que ele falava.Após isso. Sumia. Ninguém mais lembrava. Ele lembrava, ele ainda sentia. Ele estava cansado. Olhou novamente para baixo, o coração não chegara a desacelerar, mas ele sentiu outra dose de adrenalina ao olhar novamente. Era tarde da noite. Não precisava se preocupar com curiosos ou com mais nada. E era isso que ele queria, não precisar se preocupar mais, não precisar se importar mais, não precisar mais sofrer sozinho. Porque no final das contas era isso. Por mais que nunca estivesse sozinho, sempre estava. Por mais que estivesse sempre rodeado de amigos, e pessoas que diziam se importar, por mais que sua família estivesse ali, nunca se sentia com alguém realmente ali para ele. O vento bateu forte  e frio, aproveitou a sensação e se perguntou se seria semelhante, até chegar ao final. Se perguntou se iria doer. Parte queria que sim, e parte rezava para que não. Olhou para baixo uma última vez. Estava pronto. escutou algo. e viu.



"Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree...
Society, crazy indeed"

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Memórias

            
Chegou em casa, as memórias ruins se misturavam com as boas e criavam uma gigantesca confusão em sua cabeça. Foi direto para o quarto sem se preocupar em olhar mais nada que se passava na casa. chegou no quarto fechou a porta e tirou as roupas que lhe serviram durante o dia e colocou algo mais confortável.  Sentou-se na cama, as memórias bem dividias na cabeça, as boas, no passado, as ruins, muito próximas. Sabia que não podia fazer muita coisa. então simplesmente começou a chorar. Chorou por seus problemas, cada um deles passou por sua cabeça, e depois de tanto chorar suas lagrimas acabaram. Nesse momento se instalou aquela calmaria que só se tem depois de chorar o máximo. Com a calmaria, veio o cansaço, poucas coisas cansam tanto quanto chorar até não conseguir mais. Com a cabeça pesada se viu deitado na cama olhando para o teto. Sabia que logo iria dormir e ter algumas horas de paz. Infelizmente para ele isso não era verdade, e mesmo no plano dos sonhos suas memórias não o perdoaram. Quando acordou estava pior do que estava quando dormiu e resolveu sair de casa. quem sabe um longo dia o salvasse. Infelizmente, ele estava novamente enganado. O dia se estendera e fora horrível novamente, chegou em casa, as memórias ruins se misturavam com as boas e criavam uma gigantesca confusão em sua cabeça.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

madness

O homem sorriu ao acertar o cano na face da mulher. Ela caiu de costas no chão, e começou a tentar se arrastar para longe do maluco que a atacava.
- Hahaha, é tão engraçado ver você se arrastando para longe de mim. O que pretende fazer, se arrastar até eu te perder de vista?- Perguntou o homem sorrindo
- Por favor, me deixe ir, não fiz nada para você.- Gritou a mulher desesperada.
- Deixar você ir? Não fez nada para mim? Você acha que isso aqui é uma vingança? Que alguém me pagou para isso? haha está cada vez mais divertido, isso aqui é só um passatempo para mim.
- Você, você é um monstro.- Falou a mulher tentando se afastar do homem. O homem sorriu do forma macabra e soltou uma gargalhada.
- Eu? Eu sou um monstro? E qual é a definição de monstro para você? Causar dor e sofrimento por prazer? Bom, então estamos todos entre monstros aqui.
- Eu, eu nunca fiz isso com ninguém. Eu
-MENTIRA! - Gritou o homem pisando nas pernas da mulher que gritou de dor.- Sabe, estamos em uma cidade podre, composta por loucos e corruptos. Os dois estão aqui hoje, sabe, eu descobri sobre como você conseguiu seu dinheiro, aquele hospital, muitas vidas podem se perder por causa disso, acho que você é pior do que eu.- Disse o homem rindo.- Vocês, corruptos, acham que estão no poder, mas hoje vou mostrar que na verdade essa cidade é controlada por loucos- Falou o homem.
- Por favor, me deixe viver.- Suplicou a mulher chorando. O homem riu mais uma vez e se ajoelhou ao lado da mulher, pegou o rosto e fez ela olhar para ele, percebeu que ela estava olhando para os lados para não encara-lo. Ele cuspiu na cara dela e falou
- Olhe para mim, olhe nos meus olhos, você realmente acha que vai sair viva daqui hoje? Você deveria ser mais esperta, seus esquema de desvio de verba não foi ruim.- A mulher o encarou nos olhos por alguns  segundos e começou a chorar desesperadamente. O homem riu e a acertou com o cano mais duas vezes, uma no rosto e a outra nas costas. A mulher cuspiu sangue e alguns dentes e continuou a chorar.
- Você é patética, faremos o seguinte, está vendo aquele armário ali? Se você adivinhar o que está ali eu deixo você ir embora.- A mulher olhou desesperada para o armário.
- Ro..roupas?- Perguntou com a voz fraca. O homem riu e andou até o armário gargalhando.
- Quase, melhor que isso.- respondeu colocando a mão na porta do armário. Quando a porta de abriu um corpo mutilado caiu de lá. A mulher gritou de susto, e depois de alguns segundos de desespero e caiu no mais profundo choro.
- Ah, você conhecia ele? Que mundo pequeno.- Disse o homem gargalhando, a mulher repetia varias vezes em posição fetal a mesma frase.
-Meu filho.- Depois de alguns segundos assim o homem pareceu se irritar.
- Ok, isso está começando a ficar chato, acho que eu vou te matar agora.- Disse o homem com uma voz entediada tirando uma faca do paletó.
- Re...realmente...essa cidade está podre. está lotada de loucos e aberrações como você. Mas não é só isso...existe...existe um raio de luz, uma pessoa que nos protege de pessoas como você, ele vai te pegar e vai fazer você apodrecer na cadeia.- O homem parou sério, pela primeira vez alguma raiva verdadeira se passou em seu rosto. logo depois ele gargalhou novamente.
- E onde está esse seu herói agora? E o que ele vai dizer quando me pegar, afinal, já fugi da cadeia tantas vezes que perdi a conta.- O homem foi recomeçar a andar mas sentiu uma mão em seu ombro, deu um sorriso entre o prazer e a raiva e disse.
- Nunca perde uma oportunidade não é mesmo?
- Fim da linha, coringa.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Uma nova mensagem



Estava deitado olhando para o teto sem nada melhor para fazer do que jogar sua pequena bolinha para cima. Já estava ali a algum tempo agora, e não sentia a mínima vontade de fazer outra coisa, não que estivesse divertido, muito pelo contrário, mas ficar daquele jeito o ajudava a pensar melhor. Jogou a bolinha mais uma vez e a pegou com a mão quando ela caiu. Sorriu ao pegar a bola, estava nervoso, estava nervoso com o que era, o que tinha sido e o que seria. Queria fazer algo para mudar, mas por mais motivado que ele ficasse, saberia que no dia seguinte na hora de colocar em prática, acabaria não fazendo nada, e no final do dia terminaria jogando uma estúpida bolinha para cima sozinho no seu quarto. Cansado de jogar a bola para cima, deixou ela cair na cama e rolar para o chão, onde quicou várias vezes antes de rolar até a parede e ficar imóvel. Com algum esforço se levantou da cama, e sem se preocupar em acender as luzes caminhou em direção a cozinha preguiçosamente. Coçando levemente a cabeça só pelo prazer de coçar, abriu a geladeira e olhou o que tinha dentro, nada comestível chamou sua atenção, então sentiu-se satisfeito em retirar a garrafa de água da geladeira e beber da garrafa mesmo. Guardou o recipiente e voltou a andar para o seu quarto, quando estava na porta mudou de ideia e seguiu para o banheiro, despiu-se despreocupadamente e ligou o chuveiro na água quente, se encostou na parede e escorregou lentamente até ficar sentado, a água quente escorria pela sua cabeça e corpo, colocou a cabeça entre os joelhos e ficou lá apreciando o momento e pensando no que devia fazer, se sentia cansado e a posição junto da água quente começavam a lhe dar sono, então se levantou e saiu do banho. Colocou uma roupa confortável e se preparou para se deitar, quando sentou na cama reparou em sua pequena bolinha no canto do quarto, com o pé a trouxe para perto de si, e a pegou, apagou as luzes, colocou uma musica que achava que combinava com o momento que estava. E sozinho no escuro continuou a jogar a bolinha para o alto, depois de joga-la por um tempo ele errou e ela acertou seu rosto, caindo da cama e se perdendo no escuro do quarto. Pensou em procura-la, mas desistiu quando o cansaço fez o corpo reclamar da ideia de se levantar, então resolveu se ajeitar em suas cobertas, e ficou contente quando o sono começou a chegar. Quando estava prestes a dormir sentiu a cama tremer, olhou com olhos semi fechados e viu seu celular acesso. Leu na tela: Uma nova mensagem. Hesitante, pegou o celular, olhou para o aviso durante alguns segundos, com um sorriso triste desligou o celular sem ler a mensagem, pois sabia que independentemente do conteúdo ela só o faria se sentir pior, soltou o  telefone e se ajeitou nas cobertas, melhor do que se preocupar com tudo que o assolava, lhe pareceu mais fácil, simplesmente, dormir.

domingo, 2 de setembro de 2012

Era



Era um final de tarde agradável e lhe parecia suficientemente bom continuar deitado em sua cama olhando o vento bater nas arvores pela janela de seu quarto. Era um daqueles domingos preguiçosos que ninguém gostaria de ter que se mexer mais do que o necessário e que ninguém passava na rua e um silêncio agradável se instalava na região. Era um daqueles dias, em que não vemos nuvens no céu, e o calor aumenta ainda mais a vontade de nada fazer. Era um daqueles momentos em que não se tem vontade de falar com ninguém e quando o celular toca, não se faz nada alem de olhar quem era a pessoa na ligação. Era uma daquelas tardes, em que mesmo tendo muito o que fazer, para poder enfrentar a semana, prefere desperdiçar o precioso e pouco tempo que se tem fazendo nada. Era um daqueles dias em que o vento balança as árvores de forma agradável e o movimento delas o ajuda a pensar em várias coisas, umas boas e agradáveis, lembranças de uma época feliz e descompromissada, outras nem tanto e que talvez fosse preferível não se pensar. Era uma tarde daquelas paradas, mas que de alguma forma, que não sabia bem o por que, trazia um sentimento de  felicidade, e que o fazia esperar contente, o tempo passar sem fazer nada, sem tolas preocupações futuras. Era somente uma tarde como qualquer outra,  mas ele gostaria que ela pudesse demorar uma Era.

sábado, 25 de agosto de 2012

Fotos


De repente aquele pedaço de papel perdeu a importância. Sem pestanejar amassou a nota e a jogou em um canto do quarto que há muito não era arrumado. Cambaleando andou até o outro lado do quarto e olhou a foto como se fosse a ultima coisa que iria ver. O sorriso que ela exibia, parecia agora, mais distante do que nunca, e aquilo que ele considerava importante na hora da foto agora lhe parecia banal. Com o canto do olho, olhou para seu dinheiro amassado no canto do quarto. Andou para a cama, com a foto na mão, e se sentou olhando a imagem. Carinhosamente passou o dedo na foto como se pudesse acariciar a pessoa que estava do lado dele. Uma lágrima queria sair mas por algum motivo que nem ele mesmo entendia, ela não caiu.  Com uma expressão séria rasgou a foto e a jogou para o lado. Decidiu que não queria mais ver a foto, ou ela. Decidira isso da mesma maneira que já tinha decidido das outras vezes, e assim como nas outras, sabia que logo estaria procurando outra foto para continuar se torturando. Ele sabia que só tinha uma forma de acabar com aquilo, olhou ao redor do quarto e vendo todo o lixo e papel que estavam espalhados por lá. Lentamente levou a mão ao bolso e tirou um isqueiro. Depois de alguns segundos admirando a chama, soltou o objeto no chão, o isqueiro, como ele esperava, não se apagou e logo chamas cresciam em seu cômodo. Deitando-se na cama confortavelmente cruzou os braços esperando pelo fim. Mas quando as chamas finalmente o alcançaram, o abalaram de tal forma que se viu jogado para fora de seu sonho e acordando de sobressalto. Sentando na cama, suado, olhou para a mesa ao lado de sua cama. Viu uma foto, e de repente aquele pedaço de papel perdeu a importância.