O coração bateu acelerado quando olhou para baixo. A visão do que lhe aguardava lhe deu enjoo e
fez com olhasse para trás. Respirou fundo e olhou para a frente novamente.
Sabia que não podia olhar para trás, já tinha passado por muito para chegar ali.
estava cansado. Acima de tudo, estava cansado. Cansado de tentativas frustradas,
da dor física que sentia depois, da dor no peito que sentia depois, da dor nos
olhos das pessoas que o olhavam, do tom de pena que sempre ouvia, e da indiferença
que recebia quando aparentava estar bem. Ninguém o escutava. Quer dizer, é
claro, escutavam, somente no momento que ele falava.Após isso. Sumia. Ninguém
mais lembrava. Ele lembrava, ele ainda sentia. Ele estava cansado. Olhou
novamente para baixo, o coração não chegara a desacelerar, mas ele sentiu outra
dose de adrenalina ao olhar novamente. Era tarde da noite. Não precisava se
preocupar com curiosos ou com mais nada. E era isso que ele queria, não
precisar se preocupar mais, não precisar se importar mais, não precisar mais
sofrer sozinho. Porque no final das contas era isso. Por mais que nunca
estivesse sozinho, sempre estava. Por mais que estivesse sempre rodeado de
amigos, e pessoas que diziam se importar, por mais que sua família estivesse
ali, nunca se sentia com alguém realmente ali para ele. O vento bateu
forte e frio, aproveitou a sensação e se
perguntou se seria semelhante, até chegar ao final. Se perguntou se iria doer.
Parte queria que sim, e parte rezava para que não. Olhou para baixo uma última
vez. Estava pronto. escutou algo. e viu.
"Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree...Society, crazy indeed"
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