De repente aquele pedaço de papel perdeu a importância. Sem
pestanejar amassou a nota e a jogou em um canto do quarto que há muito não era
arrumado. Cambaleando andou até o outro lado do quarto e olhou a foto como se
fosse a ultima coisa que iria ver. O sorriso que ela exibia, parecia agora,
mais distante do que nunca, e aquilo que ele considerava importante na hora da
foto agora lhe parecia banal. Com o canto do olho, olhou para seu dinheiro
amassado no canto do quarto. Andou para a cama, com a foto na mão, e se sentou
olhando a imagem. Carinhosamente passou o dedo na foto como se pudesse
acariciar a pessoa que estava do lado dele. Uma lágrima queria sair mas por
algum motivo que nem ele mesmo entendia, ela não caiu. Com uma expressão
séria rasgou a foto e a jogou para o lado. Decidiu que não queria mais ver a
foto, ou ela. Decidira isso da mesma maneira que já tinha decidido das outras
vezes, e assim como nas outras, sabia que logo estaria procurando outra foto
para continuar se torturando. Ele sabia que só tinha uma forma de acabar com
aquilo, olhou ao redor do quarto e vendo todo o lixo e papel que estavam
espalhados por lá. Lentamente levou a mão ao bolso e tirou um isqueiro. Depois
de alguns segundos admirando a chama, soltou o objeto no chão, o isqueiro, como
ele esperava, não se apagou e logo chamas cresciam em seu cômodo. Deitando-se
na cama confortavelmente cruzou os braços esperando pelo fim. Mas quando as
chamas finalmente o alcançaram, o abalaram de tal forma que se viu jogado para
fora de seu sonho e acordando de sobressalto. Sentando na cama, suado, olhou
para a mesa ao lado de sua cama. Viu uma foto, e de repente aquele pedaço de
papel perdeu a importância.
sábado, 25 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Travesseiro
Abriu os olhos lentamente e se remexeu em suas cobertas, o
quarto estava completamente escuro, mas de alguma forma sabia que já era de
manha. Não era a claridade, nem a temperatura, mas de alguma forma sabia que
era de manha, não queria se levantar, mas sabia que não podia ficar deitado. O
silêncio no resto da grande casa já não o incomodava mais, já tinha se
acostumado a ser o primeiro a se levantar. De qualquer forma já tinha aprendido
a apreciar esse silêncio, é justamente o mesmo silêncio da madrugada, mas é
diferente escuta-lo quando ainda se esta deitado depois de uma noite de sono.
Então, mesmo sem saber as horas, ou se realmente estava de manha, resolveu se
levantar enquanto olhava preguiçosamente para a parede como que esperando que
algo de interessante acontecesse ali. Depois de quase um minuto esperando algo
da parede, desistiu e resolveu que era hora de se levantar, deu uma olhada para
o travesseiro e se despediu do velho companheiro de sono, era hora de seguir em
frente.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Estrelas
O vento era frio, seco, cortante. A cada rajada seu cabelo se mexia de forma rebelde, mas sem incomodar o homem que se preocupava com outras coisas. Ele andava por ali sozinho,
com o copo na mão, na beira da estrada que já não deveria estar movimentada. Aparentemente era uma noite como qualquer
outra, mas para ele era um pouco diferente. Solitário o homem continuava seu caminho
como se nada mais importasse alem de dar mais um passo para frente. O silêncio
era tão cortante quanto o frio e depois de andar por muito tempo parou para
olhar o céu em busca de estrelas, porém o céu da cidade sabe esconder as
coisas. O homem com um sorriso besta no rosto voltou a andar enquanto pensava.
Quando se deu por satisfeito disse para si mesmo na beira da estrada:
- É, realmente estou sozinho, até as estrelas me
abandonaram.
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